CHICO BAIANO

É DA BAHIA MEU PAI
 
 Ele nasceu Francisco, mas cedo virou Chico.
 
 Nascido em família pobre viviam modestamente no sertão baiano, seus pais lavradores, seus nove irmãos, um velho cachorro que outrora era de caça, mas há muito tempo nada mais havia para caçar.
 
 Chico vivia em meia a seca e a miséria do sertão.
 
 Era um menino esperto e querido por todos do povoado.
 
 Não tinha estudo, mas era esperto que só.
 
 Estava sempre pronto a ajudar do jeito que fosse.
 
 Mas por vezes Chico sumia e ninguém conseguia achar o menino.
 
 Voltava no outro dia e encontrava pai e mãe desesperados, não raro apanhava por isso.
 
 Contava que se embrenhava no mato e acabara por encontrar vários indiozinhos, com os quais fizera sólida amizade.
 
 A família jamais acreditava nele, pois todos sabiam que índio por ali não tinha há décadas.
 
 Outras vezes o menino vinha falando numa língua estranha, e o povo achava que tava ficando demente Chico sumia com bastante freqüência, e alem dos amigos indiozinhos imaginários agora dizia conhecer velhos escravos.
 
 E de fato aquelas terras já haviam sido prosperas e muitos escravos passaram por lá, mas isso também acabara com o tempo.
 
 E assim o menino Chico ia crescendo, e cada vez mais preocupando a família.
 
 Será que o menino tava ficando louco?
 
 Um dia a avó de Chico ficou doente, então o pai do menino mesmo tendo enorme dificuldade o trouxe para morar com eles “onde comem dez comem onze”.
 
 Foi então aconteceu um fato que marcaria profundamente o menino.
 
 Numa noite de lua sua vó passava muito mal, então ele se meteu no mato e quando voltou trazia consigo varias ervas, que pediu a sua Mãe para transformá-las em chá.
 
 Sua vó tomou a beberagem e sarou por completo.
 
 Para alegria de toda a família.
 
 Mas como é que um menino de 7 anos poderia conhecer tais ervas?
 
 Em sua inocência Chico confessou que foram seus amigos índios que lhe ensinaram.
 
 Dessa vez ninguém ousou bater nele.
 
 E sua vó que até então nada sabia das histórias, chamou Chico do lado e segredou:
 
 “_ meu filho isso que tu vê não é ser vivente, mas espíritos que te acompanham, segue eles meu neto, pois são de luz, e se estão com tu é porque é de seu merecimento”.
 
 E assim fez.
 
 Chico sempre no mato onde ninguém sabia e lá foi aprendendo coisas.
 
 O tempo passando ele já adolescente, ajudando e dando conselhos a toda gente, era mal de quebranto, era verme, era mal de amor, tudo vinha parar no pé de Chico.
 
 A notícia se espalhou e muitos vieram ter com Chico e para todos, ele tinha um conselho, uma reza, uma planta.
 
 Ate que o coronel dono das terras soube da historia e nada gostou.
 
 Resolve ter com o pai do menino, disse que em suas terras feiticeiro não vivia e acompanhado de capangas exigiu: ou o menino se mudava ou ele expulsaria a família toda.
 
 Não tendo escolha mesmo a contra gosto da família o jovem se foi numa noite estrelada, tendo como testemunha e companhia dos amigos que só ele via.
 
 E assim foi seguindo sertão adentro, ajudando a quem quer que fosse e recebendo comida e amor como paga.
 
 Não viu a infância passar, também nada percebeu da adolescência, e virou adulto sem perceber.
 
 Não tinha conta de quantas cidades conhecia, foram anos de peregrinação e saudade da família, mas sabia que pai, mãe, a avó, e alguns irmãos já estavam no plano espiritual, pois em sonho sempre que alguém dos seus ia falecer ele via um homem com roupa de palha e uma linda mulher vestida de vermelho trazendo pela mão o parente que se ia.
 
 E Chico chorava sozinho e pedia a DEUS proteção para eles.
 
 Agora Chico se estabelecera numa casa de pau a pique no meio do mato.
 
 E muita gente do local acorria ate ele, e sempre que isso acontecia, ele via seus amigos espíritos, e muitas vezes, via que eles entravam em seu corpo e ele a tudo assistia, maravilhado e agradecido.
 
 E assim a fama do já então pai Chico se espalhava pelo sertão afora.
 
 Hoje à noite está linda como a muito ele não via, seus amigos do mundo espiritual mostram que ele terá visita.
 
 E assim ocorre; não tarda a aparece por lá um velho e rico senhor acompanhado de seu neto que esta muito doente e que doutor nenhum consegue lhe ajudar.
 
 Chico percebe que o menino esta acompanhado de espíritos maus.
 
 Mas ele pede força a Deus e aos seus mentores, e com rezas, folhas, e certos apetrechos, consegue como por milagre curar o menino.
 
 O velho fazendeiro chora emocionado e só agora Chico percebe que ele não lhe é estranho.
 
 Sim!Trata-se do fazendeiro que expulsou o então menino Chico de suas terras.
 
 O homem também descobre isso e de joelhos pede perdão.
 
 Chico emocionado diz ao velho homem que todos na terra merecem perdão e que não seria ele soldado de Oxalá a negar.
 
 De tão contente o fazendeiro implora a Chico que volte para a velha fazenda e assuma parte das terras da fazenda.
 
 E assim foi feito, ao retornar ele transformou a casa dos falecidos pais em um terreiro de Umbanda que funcionou ate o dia em que ele foi passear na mata para não mais voltar.
 
 Ninguém achou o corpo dele e a noticia se espalhou: Chico se encantara!
 
 Dizem que muitas pessoas em noite de lua ouvem o seu canto e suas rezas alegres.
 
 O tempo passa rápido e Chico agora mora em Aruanda, tem muitos filhos que lhe servem de aparelho.
 
 Incorpora em todos com amor e carinho e procura continuar levando avante a bandeira da caridade.
 
 Na giras de Baiano ele é sem duvida uma das entidades mais alegres e prestativas.
 
 Tem especial predileção por uma moça filha de Oxum que ele sabe ser ótima médium e carregar linda baiana; e embora a moça tema a incorporação, tem missão e logo será também médium ao lado do pai que é cavalo de Chico Baiano.
 
 E assim segue a Umbanda com seus espíritos de luz e sempre prestando a caridade.

 

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